Archive for March, 2008

Pensamento rápido

Nunca tome o primeiro gole.

Porque a vontade é de ir no mercado comprar algumas Keep Coolers (Black) e depois ir alugar algum filme pra ver, mas com uma avó alcoólatra e uma mãe fumante meus genes bateram palma para a idéia de beber sozinha em casa, e obviamente não são genes confiáveis…

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Transsexual Grávido (sem Pinto)

O cara era mulher e resolveu mudar de sexo. Tirou os seios, tomou hormônios masculinos e virou homem, mas sem pinto. Casou com uma mulher. Tudo dentro da lei. A mulher dele tirou o útero. Eles resolveram ter filhos, e a parte do casal que tinha o útero era ele, então eles foram atrás de inseminação artificial.

Eu sempre me considerei uma pessoa liberal e mente aberta pra esses tipos de modernidade. Mas eu tô pensando nessa criança, gente. Como eles vão explicar que ela nasceu da barriga… do papai? E essa mulher, gente? Por que ela casa com um homem… sem pinto? Qual é a utilidade de um homem sem pinto, Brasil????

Já teve homem no escritório falando que queria fazer igual (o Garoto Prodígio vê gravidez em qualquer alteração de humor da mulherada aqui, ele se emocionou com a história).

A história é do Advocate.com. Em português, a notícia está no site da BBC Brasil. No “leia mais” tem foto do nosso amigo.

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Não é fofoca, é uma análise interior comparativa

Meu irmão, mais novo, está namorando sério há um ano. A cunhada é muito simpática, toda meiga, prendada, pinta, borda, faz crochet, doceira de mão cheia, vai fazer vestibular pra medicina esse ano. Minha bisavó gostou bastante dela, e logicamente meus pais também gostam bastante. No Sábado de Aleluia, meu irmão passou a tarde inteira fazendo as “pegadas do coelhinho” com farinha pela casa toda, para que a digníssima procurasse seus ovos de Páscoa. Achei isso lindo. Inclusive, acho lindo tudo que meu irmão sempre fez por ela; no fundo sempre quis alguém que fizesse todo esse tipo de coisa por mim; mais no fundo ainda, lá nas entranhas do meu subconsciente, sempre me achei um fracasso por nunca ter tido alguém que fizesse esse tipo de coisa por mim.

Só nesse feriado, vendo tudo isso, eu percebi a diferença entre o estilo de vida provinciano que eu deixei pra trás e o estilo de vida “idiossincrático” que eu tenho agora, e entendi por que o interior me dá agonia e por que eu me sinto tão melhor aqui.

Meu irmão se apaixonou pela namorada porque ela é a idéia que ele tem de perfeição. Uma idéia que ele herdou dos meus pais, que herdaram dos pais deles. Eu sempre quis que alguém fizesse essas coisas por mim porque essa é a idéia que eu sempre tive de demonstração de amor, herdada dos mesmos pais, que herdaram dos mesmos pais deles. É por essas mesmas idéias herdadas que minha bisa aprovou a moça, e é por essas idéias herdadas também que meu irmão foi chutado pela ex-namorada, muito mais livre, desbocada e ela-mesma.

Estou dizendo que ela não é melhor que eu por ser prendada, nem que aquele que faz surpresas românticas ama mais do que aquele que arranja um tempo no que está fazendo para ir te ver rapidinho e ainda te leva aonde você estava planejando ir para você não ter que ir sozinha na chuva, ou do que aquele que te apóia nas suas decisões pessoais.

Se eu tivesse um namorado que fizesse as patinhas do coelhinho pra me surpreender, a bisavó dele não gostaria de mim e me acharia saidinha demais. Isso porque eu moro sozinha, trabalho fora, sou tatuada, e os trabalhos manuais que me agradam não são exatamente bordado, tricot e crochet.

Daí a pergunta: por que caralhos eu acredito no que foi imposto a mim inconscientemente pelas gerações passadas? O conceito de “boa moça” só está em vigor nas cabeças dos seus avós, tios-avós e pais mais velhos, se você for o “indês” (não sei escrever isso) da sua geração. Na realidade da qual hoje eu faço parte, mulher boazinha fica pra trás. Mulher boazinha não tem carreira, nem credibilidade, nem a suposta “realização pessoal”. Na realidade da qual hoje eu faço parte, sair sozinha não é mal-visto, levar quem você bem entender pro seu apartamento não é errado, fazer o que você considera melhor não é desobediência e rebeldia, mas sim maturidade e independência.

Morar sozinha na capital contribuiu muito para a descoberta de quem eu realmente sou e o que eu realmente quero. Eu continuaria me sentindo deslocada na província, ao menos no círculo social do qual minha família faz parte, e nunca saberia bem por quê. A cada dia eu me entendo mais, especialmente quando comparo as situações aqui e lá, como fiz agora. Nesse fim de semana eu entendi que eu não sou “boa moça” como minha cunhada, portanto não me serve um “bom moço” como meu irmão. Atrasaria minha vida. (Isso não significa que estou disposta a ser mulher de bandido, ok? Sem extremos.)

Ainda vou levar um tempo pra tirar da cabeça essas idéias herdadas, afinal, são gerações e gerações que passaram por essa. Tenho muitos medos bobos (agora entendo) relacionados a não alcançar esses padrões familiares. Aceitar que não preciso seguir esses padrões é o primeiro passo para me livrar dos medos bobos, o que por sua vez é o primeiro passo para chegar a meus objetivos.

E ah, antes que perguntem, eu não sei e nem quero saber que tipo exatamente de moço me serve, só sei do que não me serve.

Faculdade x Burrice

Uma coisa pra qual a faculdade é ótima é te fazer se sentir burro. O primeiro passo é você ficar se perguntando se você é o único que não conhece aquele autor obscuro que o professor citou como sendo “óbvio”, seguro de que “todos já leram ao menos uma vez, né gente?” O segundo é algum doente fazer comentários profundos sobre a obra do tal e você pensar que você é que o burro, e não que o doente é que é… bem, doente.

Só que quem escolheu fazer uma optativa (veja bem, não é uma matéria obrigatória) sobre FINNEGANS WAKE foi você! Quem escolheu LETRAS, pra começo de conversa, foi você! Então é difícil dizer até que ponto você é realmente burro e até que ponto existe um ou outro que seja doente por Joyce e outras esquisitices/nerdices/manias-cult literárias.

Pra situar o querido leitor no nível do absurdo de uma forma simples e clara (porque senão renderia textos e textos), vai a primeira frase da introdução do próprio livro:

Não se chegou a um acordo sobre o que Finnegans Wake é sobre, ou se é ou não “sobre” alguma coisa, ou mesmo se é, em qualquer senso ordinário da palavra, “legível”.

É, é bem por aí. O professor chegou a chamar um psicólogo pra acompanhar as aulas, e o mesmo deu uma mini-palestra sobre Freud e a análise dos sonhos aula passada. Tipo, em que outro curso um psicólogo te faz entender melhor a matéria? Onde mais você lê um xerox de sociolingüística de quase 50 páginas, todo sobre separação de palavras, e o infeliz termina com “os critérios de separação de palavras continuam sendo um conceito muito vago“?

Psicólogos e 50 páginas sobre um conceito vago. E você, com sua base literária de ensino médio particular e o humilde gosto pela boa ficção, é o burro?

Como eu queimei a virilha com miojo

Eu não sei se choro ou se rio quando essas coisas acontecem; nem sei se conto aqui, porque apesar de essas coisas darem boas histórias, eu corro o risco de parecer burra. Mas enfim, como é bem sabido que eu não sou burra, acho que vale o lado cômico da situação.

Antes, alguns fatos sobre minha vida cotidiana para localizar o leitor:

Quando estou em casa ando sem roupa. Hoje eu estava de calcinha e camisetinha, como sempre. Tenho pufes na minha sala em vez de sofá. Antes eram apenas dois brancos, mas agora tenho os dois brancos e mais dois pretos, que consegui com o Garoto Prodígio. Tudo o que puder ser comido com apenas uma cumbuquinha e um garfo, eu comerei na cumbuquinha e com garfo, qualquer coisa. Isso é uma grande ajuda na hora de lavar louça.

Depois, finalmente, o sucedido:

Estava eu a comer meu santo miojo de quem mora sozinho, sentada no pufe de calcinha e camisetinha vendo TV, como em todas as minhas refeições sozinha em casa. Uma mão segurava a cumbuca e a outra segurava o garfo, assim, as duas me alimentavam. Devo ter segurado de mau jeito a cumbuca porque, bem, ela escapou da minha mão quando eu nem bem tinha começado a comer! Todo o miojo quente voou direto da cumbuca para o meu colo, e do meu colo para o pufe quando eu me levantei. Cabeças rolariam se eu não estivesse sozinha em casa. Houve muitos “caralho! merda! bosta!” e “vaffanculoporcaputtanamerdachecazzo!”

Entrei correndo no chuveiro debaixo de água gelada, me lavei e averigüei a gravidade da queimadura. Doeu. Ficou vermelho na hora, mas agora não está mais. Nada de grave, só arde um pouco quando eu encosto (mantenham as mãos longe). Mas pô, queimar a virilha com miojo é sacanagem, puta que pariu!

Dei um banho de Veja Multiuso no pufe que tá cheirando até no meu quarto. Ainda bem que é courino, porque se fosse qualquer outro tecido não-impermeável, ia ficar fedendo é a galinha caipira. Veja Multiuso pelo menos tem cheiro de limpo!

Isso é pra aprender, se eu estivesse de jeans não teria me queimado! E se eu estivesse comendo à mesa, não teria derrubado, pra começo de conversa!

E vai explicar um título desse num post…

Ídolos - Bulgária

Todo mundo sabe que eu adoro o leste europeu. É sério, não é piada, eu gosto mesmo. Chorei de emoção quando vi o vídeo a seguir no blog do Phelipe. Tá, o vídeo é piada, mas quem resiste ao Ídolos da Bulgária? Impossível não amar.

Ken lee tulibu dibu doucho!

Ah, e também tem a Celine Dion. Todos os modelitos nesse vídeo são dignos de respeito.

O “problema” da Tetê

Uma vez fiquei com um cara que achei legal. Nas semanas que se seguiram, fiquei esperando o próximo passo do camarada, porque tive vontade de ficar com ele de novo, mas o próximo passo nunca veio. Deduzi que ele não tinha curtido ou, se tinha, não fez nada. Não pensei mais nisso porque detesto homem sem atitude, gosto mesmo é que me dê atenção, demonstre que quer ficar comigo e faça isso acontecer (e não me venha com timidez!) Recentemente ele confidenciou a um amigo em comum que não fez nada porque achou que eu não tinha curtido; as minhas atitudes, segundo ele, demonstravam que eu não estava a fim; então ele largou os bets.

Menos recentemente um pouco, um ex que me marcou(a) muito (é, aquele) confidenciou-me que achava que eu não gostava dele. Quem leu meu blog durante este último ano sabe bem o tamanho da inverdade dessa afirmação.

Muito menos recentemente, há uns três anos, aceitei sair com um cara que parecia um bom partido, achando que ia beijar horrores. Ele me levou para passear e tomar sorvete e a conversa fluiu otimamente e divertidamente. E nada do carinha dar o bote. Semanas mais tarde, quando ressurgiu o assunto, a confidência foi que ele havia lido um livro sobre linguagem corporal e a minha, na ocasião, era desfavorável ao real objetivo dele - me pegar.

Indagação: Sou fria?

Indagação #2: Tetê tem o poder de decidir se rola ou não?

Indagação #3: Não é grude nem “atiradeza” demonstrar que tá querendo?

Indagação #4: Será que eu finalmente descobri qual é o famigerado “meu problema”?

Por que eu virei fã da Saraiva

Tenho precisamente e por enquanto 10 livros pra ler esse semestre, distribuídos entre Literatura Brasileira III e Literatura Francesa II. Essa contagem não inclui os de Literatura Portuguesa II, que ainda não começou, nem os da optativa sobre Finnegans Wake, do Joyce. Ou seja, esse é o semestre da literatura, o que eu estou achando bem legal, apesar de ter entrado na universidade pra estudar lingüística. Ou seja, me fodo mas me divirto. Ainda não sei de qual orifício eu vou tirar tempo pra ler tudo isso, mas a idéia de ler tudo isso não me desagrada nem um pouco.

Especialmente porque, procurando os livros pra comprar na Saraiva, eu achei nada mais nada menos que isso:

Óbvio que cliquei imediatamente no botão COMPRAR. Vou ficar roendo as unhas até ele chegar, e o pior é que tenho todos os outros 10 pra ler na frente, não vou me agüentar!

E só depois de efetuada a compra é que a anta se lembrou de procurar Cento Colpi di Spazzola Prima di Andare a Dormire, o qual eu também queria ler no original. Tinha, mas por quase 60 reais por umas putarias em italiano eu prefiro o 40ão que eu paguei no livro do Liga.

Perdão

Cometi um pecado.

Comi um rocambole de doce de leite inteiro. Era a coisa mais linda que alguém poderia fazer só para ser comido, tinha amendoim e outras nozes em cima e muito doce de leite. Aiai.

Claro que esses excessos gastronômicos não me impedem de parar o trânsito. Ontem cheguei no cruzamento para atravessar a rua quando o homenzinho vermelho já estava piscando, e decidi não atravessar. Logo o sinal ficou verde para os carros, mas o trânsito não andou, porque o motoqueiro que era o primeiro da fila estava ocupado demais me olhando pra perceber que o sinal já estava verde. Houve muitas buzinas e eu dei uma risadinha.