Archive for the 'Comportamento' Category

Como recomeçar a vida de forma inteligente

Tá, o cara que disse que ia vender a vida realmente vendeu a vida ontem.

Ian Usher sofreu uma perda amorosa e resolveu mudar de vida. Ele colocou a vida à venda no eBay, e isso incluía a casa, os carros, a moto, o jetski, o trabalho dele, os amigos, enfim, tudo que o prendesse à vida que ele costumava levar.

“No dia em que tudo for vendido e resolvido, quero sair pela porta da frente com minha carteira em um bolso e meu passaporte no outro, nada mais”, ele disse. “Minha idéia é ir para o aeroporto, perguntar para onde vai o próximo vôo disponível, embarcar e ver para onde a vida me leva a partir daí.”

Olha a decoração da casa que o cara vendeu - eu quero!
Quando vi na BBC Brasil achei que era só mais um maluco daqueles que vendem a mulher no eBay pra se vingar do chifre e afins. Mas o site do cara é muito inspirador.

Quem nunca teve vontade de largar tudo? Esse cara podia ter se suicidado. Em vez disso, ele foi inteligente e corajoso. Vendeu tudo que tinha numa tacada só, ficou com uma boa grana pra fazer o que quisesse, e se mandou.

A gente tem tanta necessidade de se sentir seguro que nem se lembra que existe a possibilidade de começar de novo. E mesmo quando nos lembramos, queremos recomeçar para reconstruir uma vida igualmente sólida e estável. Fugir com o circo, que tal? Andar com um bando de ciganos pro resto da vida, que tal? Conhecer o mundo inteiro sem nunca parar durante muito tempo no mesmo lugar, por que não?

Solidão? Talvez. Aliás, com certeza. Mas já não estamos todos sozinhos, de um jeito ou de outro?

O tal Usher agora tem 100 metas a alcançar em 100 semanas. Toda a sorte do mundo pra ele, sinceramente. Grande sujeito.

Dicas Nerds Contra a Depressão

O conceito do livro-valium já era utilizado por mim muito antes de eu ter visto essa nomenclatura em algum Stephen King (por si só um livro-valium). Um livro é o que há de melhor para distrair a cabeça e parar de pensar um pouco no que te atormenta. Reli Fronteiras do Universo inteiro, junto com A Coisa, durante um certo período negro do início de 2007. E esses são ótimos exemplos.

O livro-valium tem que ter aquela narrativa que te prende do começo ao fim, por mais besta que seja. Vale até O Código Da Vinci. Desaconselho livros de auto-ajuda: eles não vão te tirar do buraco e não são nem de perto tão legais quanto os que estão na lista dos mais vendidos de ficção da Veja! Grandes clássicos da literatura mundial estão fora de questão: Madame Bovary definitivamente não vai funcionar em horas de dor de fim de namoro.

Seguindo a linha do “não vale pensar muito”, abandonei os livros-valium desde que eu herdei o GameCube do meu irmão. Começou a era do game-valium.

Zelda

Trocando livro por videogame? Boniiiito hein, dona bacharelanda em estudos literários…

Foda-se, Zelda me deixa feliz.

O game-valium é ótimo! Seu cérebro se exercita muito resolvendo todos os problemas do jogo, e você nem fica estressado de resolver pepino, pois tem plena consciência de que aquilo não é real e você pode simplesmente desligar o console quando encher o saco. Só não é mais prático do que o livro porque você acaba gastando mais tempo porque quer “fazer só mais uma coisinha antes de salvar”. A contra-indicação é o baixo rendimento socio-acadêmico-profissional. Mas isso vale para o livro também, em menor escala, e para a depressão em si. Pelo menos assim você se distrai.

Google Maps na Vida de Jovens Motoristas

Eu sempre fui meio que um zero à esquerda quando o assunto é localização. Eu sei a diferença entre direita e esquerda, ok, mas até os pontos cardeais eu confundia na escola. Essa minha deficiência era agravada pelo fato de eu ter sido adoravelmente mimada por pais que me levavam e me buscavam em qualquer lugar e, portanto, jamais ter precisado localizar um endereço.

A história mudou quando eu vim para Curitiba e precisei me virar. Catei mapas de arruamento dos bairros de Curitiba no site da prefeitura, garimpava os horários e rotas dos ônibus naquele sitezinho da URBS e me virava.

Só que aí eu tirei a carteira e ganhei um carro. E aí eu precisei mesmo me virar, porque se localizar de carro é muito diferente de se localizar a pé.

O que me salvou foi o Google Maps. Eu sou incapaz de achar um lugar só com as direções que alguma pessoa me passe e com os respectivos pontos de referência. Na melhor das hipóteses, eu me acho com um mapa desenhado pela pessoa. Preciso olhar tudo no Google Maps, senão não acho. Até acho, mas vou com medo e insegura.

Curitiba sem Google Maps seria o caos

Eu não sei mais viver sem Google Maps. Se o Google algum dia resolver tornar o Google Maps pago, eu vou pagar qualquer preço pela assinatura Premium-Gold-Platinum. Se o Google encerrar o Google Maps, eu vou abrir uma instituição e contratar programadores e qualquer outro tipo de profissional e equipamento necessário para fazer outro Google Maps, o MT Maps. Eu sei que existe Yahoo! Maps e outros mil serviços do tipo, mas não tenho o mínimo interesse em procurar coisas neles. Estou viciada em Google Maps.

Como as pessoas encontravam endereços no passado? Se for da mesma forma que meu pai dá direções, eu prefiro o Google Maps :)

E não acho que isso seja um problema. Faz parte do ser humano encontrar formas de se localizar, tanto que inventaram bússolas, inventaram astrolábios, mapas, sistemas de localização pelas estrelas etc etc. Ninguém vai ficar perdido num futuro apocalíptico pós-Google Maps. Eu podia falar que o Google Maps é coisa do demônio, da mesma forma que falaram e falam dos perigos da Internet. Não é porque eu sou viciada em Google Maps que não vou conseguir ler um mapa normal. Tecnologia é uma coisa boa para facilitar a vida do homem. Google Maps é uma coisa boa para facilitar a vida do homem.

Google Maps me fez conhecer as ruas pelo nome, e não apenas por ponto de referência. Eu sei me locomover muito melhor em Curitiba, onde vivo há dois anos, do que em Ponta Grossa, onde vivi durante 13. É claro que isso se deve em grande parte à presença dos nomes das ruas em TODAS as esquinas, o que inexiste na nossa Princesa dos Campos, mas a culpa é toda do Google Maps.

Sexo e o Resto

Línguas estrangeiras não são apenas conjuntos diferentes de palavras e expressões para representar as mesmas coisas, mas conceitos diferentes das coisas. Assim como, em português, saudade é um sentimento bem claro e distinto e, em ingês, dedos do pé não são dedos, em italiano um relacionamento é dividido em duas partes essenciais: sexo e o resto.

E a pergunta da vez é: qual dos dois é mais importante? Leve em consideração que sexo inclui beleza física e a “pegada”, e que o resto inclui carinho, atenção e as “obrigações sociais” de um relacionamento.

Certo, parece óbvio que a resposta é o resto, afinal todo mundo quer ser bem-tratado e sentir que pode contar com a outra pessoa para o que for necessário. Mas não é tão óbvio assim.

Pense: você começa um relacionamento porque sentiu atração pela outra pessoa. Falando sem hipocrisia e “politicamente-corretice”, você quer uma pessoa bonita do seu lado. Todo mundo quer. Ou até não necessariamente bonita fisicamente, mas que tenha algum tipo de magnetismo, o que geralmente envolve o olhar, o modo de te tocar e falar com você e as atitudes - isso se chama “pegada”, e é isso que atrai uma pessoa à outra, e é a atração (logo, o sexo) que começa relacionamentos. O resto vai sendo construído pelas duas partes envolvidas ao redor disso.

Simplesmente não é natural que relacionamentos comecem pelo resto, para que sejam complementados depois com o sexo. É pular uma etapa, é não deixar acontecer naturalmente (êêê pagodão). Não é humano. Da mesma forma, não é humano que as pessoas se sintam solitárias mesmo estando num relacionamento, pelo fato de este ser construído exclusivamente de sexo.

Decidir o quê é mais importante que o quê é um dilema cruel. Aliás, pensar sobre isso, por si só, já é cruelíssimo. Quem não pensa é que é feliz, abençoada ignorância! Para não ser libriana e (como sempre) deixar as coisas em cima do muro, deixo a questão em aberto para vocês comentarem a respeito. Mas ainda concordo com a tia Rita Lee: amor sem sexo é amizade, sexo sem amor é vontade.

(É, eu que sei de relacionamento.)

Eu e Krishna

Acontece nesse fim de semana em Curitiba o Ratha Yatra 2008, celebração hare krishna que, segundo ótima explicação de uma “fiel” com quem conversamos, festeja um “passeio” do senhor Jagannatha (senhor do universo) fora do templo, onde ele pode ver e sentir a adoração de seus fiéis e ficar feliz com isso, enquanto os fiéis ficam felizes por se sentirem mais próximos ao deus e unidos a ele.

Estou contando o que eu entendi das palavras dela, se você entender mais do assunto e achar necessário me corrigir, por favor, assim o faça.

O fato é que eu me identifiquei muito com a coisa. Adorei a música, a dança, o canto, toda a alegria na coisa toda. Foi isso que me chamou a atenção. Amor era o que emanava dali, não medo e um respeito temeroso.

Porque eu fui batizada católica, mas só ia à igreja em ocasião de casamento, velório e visita turística, e me sentia extremamente sufocada. Fiz a primeira comunhão por obrigação dos pais, e por revolta fui tomar a hóstia com a roupa mais velha, batida e suja que eu tinha, e nunca mais comunguei desde então. Achava que eu tinha o djaño no corpo, só podia!

Depois entendi que não, que não era em Deus que eu não acreditava, mas sim na instituição da igreja católica (sic - minúsculas). Não concordo com as idéias que ela prega a seus fiéis. Detesto a expressão “temente a Deus”. Como se Deus fosse algo assustador a que temer, e como se quem O teme fosse bom e correto. E isso é só um exemplo, não quero entrar em discussões contra uma ou outra religião.

Meu negócio passou a ser eu e Deus, Deus e eu, e está bem bom assim. Mas a idéia de se sentir alegre e amado e bem consigo mesmo através da religião me chamou muito a atenção. Acho que vou fazer uma visitinha ao templo de Krishna um dia desses. (E ser parte da Piracema de Hare Krishnas.)

O que é a beleza?

Ontem, zapeando os canais, caí no Miss Brasil 2008. Peguei da parte em que já tinham escolhido as cinco finalistas. Não achei foto das “donzelas”, mas fiquei impressionada com tamanha igualdade. Eram lindas, sim, todas. Mas eram todas iguais também! Todas de cabelo preto ondulado e volumoso que bate na cintura, maxilar proeminente e olhos grandes. Toooodas. Só a Miss Ceará que tinha o cabelo mais claro e o sorriso mais sincero, tava torcendo por ela.

Mas quem ganhou foi a Miss Rio Grande do Sul, Natália Aderle, que por sinal é também igual à outra Natália, a Miss Brasil 2007:

Miss Brasil 2008

Todas igualmente lindas, igualmente iguais. A mesma cara, o mesmo sorriso, o mesmo cabelo. Saíram da mesmíssima linha de produção. Até o vestido é igual. Isso é ser bonita? Ser igual ao padrão? Acho o diferente, o exótico, tão bonito. Sou só eu?

Depois reclamam quando a japonesa ganha o Miss Universo.

Aquilo

Quando eu pensar em outra coisa que não seja quella cosa, eu venho postar decentemente.

Por enquanto, estou melhorando na parte de focar em outras coisas. Incrível como a faculdade tem sido interessante ultimamente. As matérias mesmo, não os veteranos nem os calouros nem os alunos de outros cursos. Incrível né, tô passada que tô gostando de estudar! Juro que não tô me reconhecendo! O trabalho não tá tão interessante, mas considerando que mês que vem já entra o aumento que eu pedi, é uma coisa para se ficar feliz, fora uns esqueminhas profissionais por fora.

Enquanto isso, eu compro roupas e sapatos e volto a comer saudável. Ou assim eu espero.

A Língua e a Moda do “De”

As aulas de Sociolinguística da faculdade me ensinaram que não existe jeito errado de falar, apenas jeito diferente. Há muitas discussões do gênero aqui na Produção (a mais recente sobre o polêmico tópico “R retroflexo”), das quais eu detesto participar porque é difícil fazer esse conceito de regionalismo, sotaques e dialetos brasileiros entrar na cabeça dos hermanos aqui.

Tanto é difícil que nem na minha entrou direito. Ainda tem muita coisa que eu não tolero, apesar de estar me esforçando para viver mais na “paz e amor” com essas bizarrices lingüísticas.

O mais recente alvo da minha intolerância é a moda do “de”. Começou com o “de” em dias de semana. “De segunda-feira vou pra natação”, “De domingo a gente faz churrasco”, etc. Achei cafona por ouvir falantes de sotaques que eu conheço bem e que nunca tinham falado assim de repente aderirem a isso. Se eles falassem assim desde que se conhecem por gente talvez fosse menos pior.

Depois, foi a expressão “sair de balada” que me causou um infarte do miocárdio. Como assim, “sair DE balada”? Você pega o seu Balada a álcool e sai? Que eu saiba a gente sai de carro, sai de bicicleta, sai de ônibus, eu saio de Bigui todos os dias, e inclusive saio de Bigui PRA balada.

“De sábado eu saio de balada.”

De onde surgiu isso, minha gente? Expliquem-me, por favor. Regionalismo? De onde? Por que está todo mundo falando assim?

Considerando que só ouvi isso de jovens solteiros na faixa dos 20-25 anos de classe média que se jogam na night, deduzo que seja um processo natural da língua, que se modifica com o tempo. Mas juro que não entendi a tendência.

Essa juventude de hoje, cada vez mais saidinha…

Pensamento rápido

Nunca tome o primeiro gole.

Porque a vontade é de ir no mercado comprar algumas Keep Coolers (Black) e depois ir alugar algum filme pra ver, mas com uma avó alcoólatra e uma mãe fumante meus genes bateram palma para a idéia de beber sozinha em casa, e obviamente não são genes confiáveis…

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Não é fofoca, é uma análise interior comparativa

Meu irmão, mais novo, está namorando sério há um ano. A cunhada é muito simpática, toda meiga, prendada, pinta, borda, faz crochet, doceira de mão cheia, vai fazer vestibular pra medicina esse ano. Minha bisavó gostou bastante dela, e logicamente meus pais também gostam bastante. No Sábado de Aleluia, meu irmão passou a tarde inteira fazendo as “pegadas do coelhinho” com farinha pela casa toda, para que a digníssima procurasse seus ovos de Páscoa. Achei isso lindo. Inclusive, acho lindo tudo que meu irmão sempre fez por ela; no fundo sempre quis alguém que fizesse todo esse tipo de coisa por mim; mais no fundo ainda, lá nas entranhas do meu subconsciente, sempre me achei um fracasso por nunca ter tido alguém que fizesse esse tipo de coisa por mim.

Só nesse feriado, vendo tudo isso, eu percebi a diferença entre o estilo de vida provinciano que eu deixei pra trás e o estilo de vida “idiossincrático” que eu tenho agora, e entendi por que o interior me dá agonia e por que eu me sinto tão melhor aqui.

Meu irmão se apaixonou pela namorada porque ela é a idéia que ele tem de perfeição. Uma idéia que ele herdou dos meus pais, que herdaram dos pais deles. Eu sempre quis que alguém fizesse essas coisas por mim porque essa é a idéia que eu sempre tive de demonstração de amor, herdada dos mesmos pais, que herdaram dos mesmos pais deles. É por essas mesmas idéias herdadas que minha bisa aprovou a moça, e é por essas idéias herdadas também que meu irmão foi chutado pela ex-namorada, muito mais livre, desbocada e ela-mesma.

Estou dizendo que ela não é melhor que eu por ser prendada, nem que aquele que faz surpresas românticas ama mais do que aquele que arranja um tempo no que está fazendo para ir te ver rapidinho e ainda te leva aonde você estava planejando ir para você não ter que ir sozinha na chuva, ou do que aquele que te apóia nas suas decisões pessoais.

Se eu tivesse um namorado que fizesse as patinhas do coelhinho pra me surpreender, a bisavó dele não gostaria de mim e me acharia saidinha demais. Isso porque eu moro sozinha, trabalho fora, sou tatuada, e os trabalhos manuais que me agradam não são exatamente bordado, tricot e crochet.

Daí a pergunta: por que caralhos eu acredito no que foi imposto a mim inconscientemente pelas gerações passadas? O conceito de “boa moça” só está em vigor nas cabeças dos seus avós, tios-avós e pais mais velhos, se você for o “indês” (não sei escrever isso) da sua geração. Na realidade da qual hoje eu faço parte, mulher boazinha fica pra trás. Mulher boazinha não tem carreira, nem credibilidade, nem a suposta “realização pessoal”. Na realidade da qual hoje eu faço parte, sair sozinha não é mal-visto, levar quem você bem entender pro seu apartamento não é errado, fazer o que você considera melhor não é desobediência e rebeldia, mas sim maturidade e independência.

Morar sozinha na capital contribuiu muito para a descoberta de quem eu realmente sou e o que eu realmente quero. Eu continuaria me sentindo deslocada na província, ao menos no círculo social do qual minha família faz parte, e nunca saberia bem por quê. A cada dia eu me entendo mais, especialmente quando comparo as situações aqui e lá, como fiz agora. Nesse fim de semana eu entendi que eu não sou “boa moça” como minha cunhada, portanto não me serve um “bom moço” como meu irmão. Atrasaria minha vida. (Isso não significa que estou disposta a ser mulher de bandido, ok? Sem extremos.)

Ainda vou levar um tempo pra tirar da cabeça essas idéias herdadas, afinal, são gerações e gerações que passaram por essa. Tenho muitos medos bobos (agora entendo) relacionados a não alcançar esses padrões familiares. Aceitar que não preciso seguir esses padrões é o primeiro passo para me livrar dos medos bobos, o que por sua vez é o primeiro passo para chegar a meus objetivos.

E ah, antes que perguntem, eu não sei e nem quero saber que tipo exatamente de moço me serve, só sei do que não me serve.

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