Archive for the 'Leitura' Category

Ossos do Ofício

Quando você faz Letras a sua nerdice atinge níveis diferentes, em escala linear com as nerdices que você já tinha. Algumas conseqüências de fazer Letras:

  • Você sabe que hoje é Bloomsday
  • Você acha Bloomsday uma data relevante
  • Sua cidade vai ter eventos relacionados ao Bloomsday e você fica sabendo deles
  • Seus amigos vão comemorar o Bloomsday tomando Guinness em um dos bares irlandeses da sua cidade
  • Você fica triste por ter prova sobre os heterônimos de Fernando Pessoa e não poder comemorar o Bloomsday tomando Guinness

Ou eu que sou inculta e só fiquei sabendo dessas pirações depois que entrei na universidade :P

Faculdade x Burrice

Uma coisa pra qual a faculdade é ótima é te fazer se sentir burro. O primeiro passo é você ficar se perguntando se você é o único que não conhece aquele autor obscuro que o professor citou como sendo “óbvio”, seguro de que “todos já leram ao menos uma vez, né gente?” O segundo é algum doente fazer comentários profundos sobre a obra do tal e você pensar que você é que o burro, e não que o doente é que é… bem, doente.

Só que quem escolheu fazer uma optativa (veja bem, não é uma matéria obrigatória) sobre FINNEGANS WAKE foi você! Quem escolheu LETRAS, pra começo de conversa, foi você! Então é difícil dizer até que ponto você é realmente burro e até que ponto existe um ou outro que seja doente por Joyce e outras esquisitices/nerdices/manias-cult literárias.

Pra situar o querido leitor no nível do absurdo de uma forma simples e clara (porque senão renderia textos e textos), vai a primeira frase da introdução do próprio livro:

Não se chegou a um acordo sobre o que Finnegans Wake é sobre, ou se é ou não “sobre” alguma coisa, ou mesmo se é, em qualquer senso ordinário da palavra, “legível”.

É, é bem por aí. O professor chegou a chamar um psicólogo pra acompanhar as aulas, e o mesmo deu uma mini-palestra sobre Freud e a análise dos sonhos aula passada. Tipo, em que outro curso um psicólogo te faz entender melhor a matéria? Onde mais você lê um xerox de sociolingüística de quase 50 páginas, todo sobre separação de palavras, e o infeliz termina com “os critérios de separação de palavras continuam sendo um conceito muito vago“?

Psicólogos e 50 páginas sobre um conceito vago. E você, com sua base literária de ensino médio particular e o humilde gosto pela boa ficção, é o burro?

Por que eu virei fã da Saraiva

Tenho precisamente e por enquanto 10 livros pra ler esse semestre, distribuídos entre Literatura Brasileira III e Literatura Francesa II. Essa contagem não inclui os de Literatura Portuguesa II, que ainda não começou, nem os da optativa sobre Finnegans Wake, do Joyce. Ou seja, esse é o semestre da literatura, o que eu estou achando bem legal, apesar de ter entrado na universidade pra estudar lingüística. Ou seja, me fodo mas me divirto. Ainda não sei de qual orifício eu vou tirar tempo pra ler tudo isso, mas a idéia de ler tudo isso não me desagrada nem um pouco.

Especialmente porque, procurando os livros pra comprar na Saraiva, eu achei nada mais nada menos que isso:

Óbvio que cliquei imediatamente no botão COMPRAR. Vou ficar roendo as unhas até ele chegar, e o pior é que tenho todos os outros 10 pra ler na frente, não vou me agüentar!

E só depois de efetuada a compra é que a anta se lembrou de procurar Cento Colpi di Spazzola Prima di Andare a Dormire, o qual eu também queria ler no original. Tinha, mas por quase 60 reais por umas putarias em italiano eu prefiro o 40ão que eu paguei no livro do Liga.

Faço Letras e curto Paulo Coelho¹

Saí sem rumo e deixei o celular em casa desligado, e foi ótimo. Andei muito, almocei no McDonald’s com muito junk pride, fiz as unhas com os luxuosíssimos vermelhos novos da Risqué um por cima do outro e comprei chocolates e ice tea no mercado, está feito meu fim de semana.

Fui na livraria procurar algo pra ler porque tive uma overdose de Stephen King em três línguas e não agüento mais o homem. Fiquei horas lá dentro, olhei tudo, li todas as orelhas possíveis e não gostei de nada. Me senti muito miguxa loira que usa bota tipo pata de elefante. Da modinha Oriente Médio me bastou Pamuk, da literatura brasileira estou de férias, de literatura fantástica já passei da fase.

Fiquei indignada quando vi a edição especial Saiu Filme Desse Livro de A Bússola Dourada, que por sinal teve seu nome terrivelmente mudado para A Bússola de Ouro devido ao nome igualmente terrível que o filme levou. Pra quê, minha santa New Line, pra quê mudar dourada para de ouro? Alguém me explica?

Saí de lá com um livrinho de auto-ajuda afetiva/relacionamental, meio com vergonha de comprar, tipo moleque de 13 anos comprando a primeira Sexy na banca, enfia no meio de um jornal. Mas eu achei engraçadinho e muito real, e tava barato. De qualquer forma gostei da minha hora na livraria, adoro ficar lá fuçando livros, é um ambiente onde eu me sinto bem.

¹O título é uma referência a esta comunidade e ao fato de eu ter comprado um livro de auto-ajuda. Este post NÃO É SOBRE PAULO COELHO, obrigada.

*

Update de domingo:

Eu finalmente terminei de baixar La Finestra, o álbum novo do Negramaro, e excedeu todas as expectativas. O anterior, Mentre Tutto Scorre, era meio pesado e depressivo, mas esse no geral tem um tom muito alegre e animado, bem o que estou precisando no momento. Uma das músicas inclusive tem a participação maravilhosa do Jovanotti! Quando vi pensei que Negramaro com Jovanotti seria tipo aquelas misturas bizarras que a Coca-Cola tá promovendo (Armandinho com NX Zero é mágoa pura), mas o bagulho ficou absurdamente bom. Viciei, agora é decorar todas as músicas pra cantar no trabalho e promover a irritação alheia, yeah!

À Torre Negra Cheguei

Foram três anos acompanhando a busca de Roland de Gilead, e inúmeras noites sem fim me deitando com o pistoleiro (a última sendo ontem) nem que fosse para ler um único subcapítulo. Mais de 4000 páginas depois, eu terminei a Torre, e ao contrário dos meus medos, não houve sensação de vazio.

*SPOILERS*
*LEIA POR SUA CONTA E RISCO*

Clique em “Leia mais” se realmente quiser saber o que acontece no final.

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Estevão Rei, a Torre e a Caneca

Caneca A Torre Negra

O livro saiu no dia 27, e eu estava em Ponta Grossa. Tentei comprar por lá mas não tinha chegado ainda. Dei bobeira em Curitiba e acabei indo comprar só na quarta-feira. Nem olhei o preço, passei a mão no livro e fui pra fila do caixa. Foi então que eu vi a promoção: comprando 2 livros da série A Torre Negra você ganha uma caneca *exclusiva*.

Não tomo café, mas sou fã de canecas, e sou fã de King e da Torre. Sendo fã de canecas, eu queria a caneca; mas sendo fã da Torre eu já tinha todos os outros livros da coleção, e não pretendia comprar presente pra ninguém.

Dois anos atrás eu teria ficado sem a caneca, mas morando sozinha em Curitiba eu aprendi a ser exigente e cara de pau, e a conseguir o que eu quero do jeito que eu quero. Até agora só tem funcionado com coisas ínfimas como canecas-brinde e convencer todo mundo no jantar a sentar na mesa que eu quero.

Assim, pedi pra moça do caixa me vender a caneca separadamente, já que eu não ia comprar outro livro. Ela disse que não podia. Eu pedi de novo, ela perguntou pra colega dela, e aí disse que não podia. Perguntei de novo e ela disse que não podia. Quando me entregou o livro, disse que ela não podia fazer nada quanto à caneca, mas que eu podia tentar falar com a gerente da loja. Fui atrás da gerente, pedi pra gerente me vender a caneca separadamente, e a gerente gentilmente me deu a caneca de brinde.

Caneca A Torre Negra

Agora eu tomo chá mate no trabalho numa caneca preta linda com o nome do Stephen King e o símbolo do Ka! Yeah!

Já no segundo capítulo meu pistoleiro amado (aquele que ia atrás do homem de preto que corria pelo deserto) faz um gesto que se define com uma frase que combina muito com a minha agonia secreta dos últimos dias:

Ande, pelo amor de Deus. Cague ou desocupe a moita.

Roland de Gilead é ídolo.

*

Em off: Meu amigo (gay) pegou na bunda do meu sonho de consumo (hetero) mais vezes do que eu (que por sinal fiquei marcando e não peguei na bunda). Tô passada, tô beige. E a concorrência só cresce, garotas!

King, salve minha vida

Talvez eu deva mudar minha habilitação para Inglês simples (sem português), Bacharelado em Estudos Literários. Assim eu poderia escrever a monografia dos meus sonhos: “Literatura Moderna Americana: Como o Universo de A Torre Negra Abrange a Obra Completa de Stephen King”.

O objetivo de pesquisa seria basicamente demonstrar que autores vivos e bem vendidos não são “subliteratura”. E eu teria que obrigatoriamente ler os livros dele que ainda não li. “Mãe, comprei um livro pra faculdade com seu cartão de crédito” “Sei, o novo do Stephen King…” “É.”

Tive essa idéia em meio a desesperos relativos à aula de Introdução à Pesquisa Científica. O trabalho do semestre é fazer o pré-projeto da monografia. No terceiro semestre. Eu faço Francês simples, Bacharelado em Estudos Linguísticos, e estou cega no meio do tiroteio tentando pensar num tema relevante. Pelo menos o orientador, lá no sétimo semestre, eu sei bem quem quero que seja.

Vou ali ler Four Past Midnight. E A Torre Negra VII dia 27!

*O último post foi só para deixar registradas as boas vibrações.

Curtas luxo

Vamos nos ater aos fatos felizes e ficar a par de todos os detalhes (felizes) da minha vida no momento:

  • Hoje vou na formatura da Elisão (Administração UFPR)
  • Comprei maquiagens luxo e o perfume francês que eu queria há anos para usar à noite, em vez de emprestar o “perfume de festa” da minha mãe; isso porque Jean Paul Gaultier estava em promoção.
  • Queria me dar de presente uma sessão de massagem relaxante, mas não tinha horário, mas tudo bem. Muitas coisas pra fazer hoje.
  • Eu ia ver o negócio da auto escola hoje cedo antes de ir fazer depilação e compras, mas preferi ficar lendo O Amor nos Tempos do Cólera (sobre o qual tenho que escrever uma resenha de quatro páginas até terça-feira que vem, amo fazer Letras) e me identificando com as crises de desespero e paranóia dos personagens, típicas de García Márquez (ou não, porque eu só li dele Cem Anos de Solidão, em italiano ainda por cima).
  • O meu italianinho estepe está sempre ali presente quando eu preciso :) Imagina se o indíviduo morasse aqui, só alegria!
  • Outro dia descobri que meu professor de Francês über fofo fala italiano, oooonnn! Adoro pessoas que falam italiano.
  • Os amigos-elite do ex-trabalho também vão na formatura e vai ser tão legal e bafônico e paródico :D
  • Eu acho que descobri a fonte do pequeno desconforto do vestido que vou usar hoje: o bojo foi costurado mais pra baixo do que a minha “anatomia”, fazendo com que a alça fique ligeiramente frouxa e perigosamente tomara-que-caia. Agulhas e fio à toda!
  • Agora preciso trabalhar no meu projeto designer-bicha :)

Reflexões sobre o amor em romances turcos

“Estou terrivelmente apaixonado por você, e estou sofrendo”, disse Ka.

[...]

“O que tenho de fazer para convencê-la a confiar em mim?”

“Pode não acontecer no primeiro momento, mas dez minutos depois de conhecer um homem, uma mulher tem uma idéia clara de quem ele é, ou pelo menos de quem ele pode ser pra ela, e, em seu íntimo, já sabe se vai ou não se apaixonar por ele. Mas sua cabeça precisa de tempo para entender o que seu coração decidiu. Se você quer saber, não há quase nada que um homem possa fazer nessa situação, exceto dar tempo ao tempo. [...]”

Orhan Pamuk, Neve. pp. 247 e 258

Há alguma coisa que uma mulher possa fazer nessa situação?