Archive for the 'Trabalho' Category

Power Nap é power mesmo

Seguindo a onda corporativa do post passado, vou deixar aqui uma dica que pode ser muito útil pra todo mundo que trabalha e estuda, ou trabalha demais, ou estuda demais, ou trabalha demais E estuda demais.

A power nap aumenta a produtividade, diminui o stress, melhora o humor e faz a memória funcionar melhor. Ela consiste num cochilo de curta duração (os famosos 15 minutos), de modo que você acorde antes de entrar realmente no estágio do sono. Aí você fica felizinho sem ficar com aquela “inércia de sono”, ou seja, aquela vontade de dormir mais logo que acorda. Esse efeito colateral pode ocorrer se você não limitar seu ronco a no máximo 15 minutos.

Eu fiz isso hoje. Ainda tinha mais 20 minutos antes de bater o cartão quando voltei do almoço, então configurei o celular para despertar em 15 minutos e capotei no banco traseiro do meu carro.

Eu não dormi exatamente, tinha consciência de tudo ao meu redor e acreditava estar apenas “descansando os olhos”. Uma ova, quando dei por mim tava escorregando suavemente pro subconsciente, as coisas à minha volta e os meus pensamentos se embaralhavam todos, mas eu sabia que não estava dormindo nem sonhando. Isso se chama microssono.

Quando acordei estava num bom humor incrível, e todas as tarefas que eu tinha pra fazer, fiz rápido e sem me enrolar, como costumo fazer quando tô de saco cheio. Recomendado!

Tem também uma outra modalidade, a caffeine nap. Com ela você toma café logo antes de tirar seu cochilo. Supostamente, a cafeína leva em torno de 15 minutos para dar aquele efeito “energizante” esperado no organismo. Enquanto espera esses 15 minutos, você tira aquela pestana merecida.

De qualquer forma, preciso arranjar um lugar melhor, porque o carro estava terrivelmente quente. Já falei que tem um sofá na sala de edição? Todo mocado e escondido. Acho que vou pra lá amanhã.

Escravidão Bem-remunerada x Artista que Morre de Fome

Estava discutindo questões profissionais com o Garoto Prodígio semana passada, e a pauta da discussão era “escravidão bem-remunerada x artista que morre de fome“.

Ou seja, será que devemos correr atrás do que realmente adoramos, sabemos e queremos fazer, mesmo que a curto prazo a remuneração seja menor, ou devemos abraçar qualquer oportunidade de dinheiro bom e dinheiro fácil, mesmo que isso vá contra nossos princípios?

A primeira vez que me vi frente a esse dilema foi há uns dois meses, quando me ofereceram um emprego que pagaria o dobro do que eu ganho agora. Isso para trabalhar no call center de uma grande empresa. É, call center. Estarei ganhando mais para estar trabalhando num call center.

O lugar onde eu trabalho agora não é dos mais ricos ou luxuosos, nem pretendo construir carreira aqui, mas gosto do trabalho que eu faço, que é de certa forma ligado à minha área, e acho que ganho mais que bem para a minha faixa etária e formação acadêmica (a maioria dos meus amigos na faixa dos 20 ganha menos de 1/3 disso, quando trabalha). Sem contar a mamata que uma empresa pequena propicia, e por mamata eu me refiro a não precisar fazer hora extra e a não precisar tomar Maracujina em doses diárias para sobreviver, motivos pelos quais eu saí do meu emprego anterior, também numa mega-empresa.

Não aceitei a proposta do call center por motivos óbvios. Prefiro ganhar menos fazendo algo que não me desagrada e que me dá alguma experiência na área que pretendo seguir, do que ganhar mais e ter de sobreviver à base de Maracujina num trabalho puramente chato.

Isso porque eu tenho 19 anos, sou undergraduate (malemal formada) e moro sozinha com apoio dos pais. Uma situação bem diferente da do Garoto Prodígio, que tem 34 anos e uma família pra sustentar (de “garoto” não tem nada, o apelido faz referência ao xará dele na Dupla Dinâmica).

Ele se botou claramente a favor da primeira opção (escravidão bem-remunerada) como suporte para a segunda (artista que morre de fome), ao invés de uma excluir a outra. O exemplo dado foi a necessidade de se abrir uma empresa para emitir nota fiscal de tradutor. Todo mundo sabe que abrir uma empresa no Brasil é um processo demorado e caro, bem como é caro manter uma empresa. O argumento dele foi que, muitas vezes, principalmente no começo, eu não conseguiria ter lucro só com as traduções, e precisaria de um emprego paralelo para manter o negócio de traduções. O que faz muito sentido, mas repito, é uma situação diferente da minha.

Claro que quero ganhar bem, todo mundo quer. Mas não numa base maquiavélica, não na base do “os fins justificam os meios”. O trabalho é uma parte importante para a sanidade mental do ser humano, e deve ser uma atividade que, se não for agradável, pelo menos não dê fastídio. Tem que ter um balanço aí dos fatores “remuneração” e “satisfação pessoal”.

Se gari ganhasse bem, você limparia chorume?

Se lixeiro ganhasse R$2.200 mais benefícios por mês, os candidatos a tal vaga jamais seriam universitários ou recém-formados, nem mesmo estagiários de engenharia ambiental especializados em descarte de resíduos sólidos.

Onde a mágica acontece

workstation, première mise en ligne par Maria Thereza.

Esse é o dedo do Garoto Prodígio. E ao fundo sou eu na minha workstation com minhas tralhas. Aqui acontecem coisas mágicas diariamente.

Semana passada o Garoto Prodígio quase “fatiou o salame” (nas palavras do alemão de vendas) com o ventilador quando a hélice caiu.
O pessoal aparece só pra “tirar casquinha”. A gente passa 40 horas por semana junto, é mais do que eu passo com minha família (óbvio) ou com meus melhores amigos. A gente acaba criando esses laços bizarros.

As coisas boas dessa vida corporativa

CJ no telefone:

- Oi amiga, tá em casa?

- Oi, tô sim.

- Tá peladinha?

- Cara… pior que tô!

- Então bota um tapa-sexo e desce sambando encontrar a gente aqui!

Porque o point, desde quando eu trabalhava com eles, é uma lanchonete do outro lado da rua do meu apê. E sim, eu ando sem roupa em casa quando tá calor. Eu moro sozinha e eu posso. Todo mundo é super bem-vindo pra vir me visitar quando estiver passando pelo centro, mas por favor liguem antes para evitar transtornos!